30/01/2010

NoGlut - Molotof


Ingredientes:

- 9 claras
- 9 colheres de sopa de açúcar (caso aumente o número de claras deve aumentar o número de colheres de açúcar na proporção de uma clara para uma colher de açúcar)


Preparação:

Batem-se as claras com o açúcar (devendo bater-se de forma gradual, i.e., bate-se a primeira clara com uma colher de açúcar, de seguida adiciona-se a segunda clara e a segunda colher de açúcar e bate-se todo o preparado, e assim sucessivamente até perfazer a totalidade das claras e, consequentemente, a totalidade do açúcar), até atigir ponto de suspiro.


À parte queimam-se 250g de açúcar e deita-se este preparado no suspiro batendo vigorosamente*. Finalmente, coloca-se todo o preparado numa forma barrada com manteiga e leva-se ao forno a cozer a 200ºC (sendo que o forno já deve estar previamente aquecido) na razão de um minuto por cada clara (neste caso durante nove minutos). É importante colocar dentro do forno um pequeno recipiente de barro cheio com água enquanto o molotof coze (sendo este o truque utilizado para que, quando desenformado, o molotof não "caia" ficando com metade do tamanho que ocupava na forma).




* Caso prefira pode misturar apenas uma pequena quantidade do açúcar derretido no suspiro e caramelizar a forma com o açúcar que sobra para que o molotof fique mais claro e com uma cobertura homogénea de caramelo.


BOM APETITE!

Carmen G.

20/01/2010

Questões Sem Glúten – Análise



Por experiência todos sabemos que cumprir uma dieta sem glúten pode ser uma tarefa complicada. As dificuldades podem estar associadas a diversas situações. Ora esta semana quisemos saber quais as situações que tornam difícil cumprir a dieta sem glúten (“É-lhe difícil cumprir a dieta quando…”).


Uma grande parte dos leitores (11 pessoas – 42%) respondeu que lhes é difícil cumprir uma dieta isenta de glúten quando “tem de comer fora de casa.” Estas dificuldades em cumprir a dieta quando se come fora de casa podem derivar de vários factores como o não controlo de possível contaminação, o desconhecimento da problemática, má interpretação de explicações ou crenças erradas (como por exemplo, “só um bocadinho não há-de fazer mal”) de outras pessoas. Como sabemos da importância extrema em cumprir a dieta, é necessário tentar ultrapassar estas dificuldades. Podemos, por exemplo, comer em locais conhecidos e em que a problemática seja entendida (bem como as consequências de quebra da mesma), levar comida de casa, etc.


Quase o mesmo número de leitores (10 – 38%) respondeu que é quando “está numa festa” que se torna difícil cumprir a dieta. Mais uma vez, esta resposta pode decorrer do pouco controlo que se tem da contaminação cruzada. Um outro motivo pode ser a “tentação” de provar doces, pratos, etc. que contenham glúten. Nesta situação a responsabilidade do celíaco terá de ser mais forte que os olhos, o nariz ou o paladar. Nunca é demais recordar que, mesmo não havendo sintomas, a quebra da dieta tem efeitos no equilíbrio do nosso organismo e consequentemente para a nossa saúde e bem-estar.


Já três leitores (11%) responderam que “nunca é difícil cumprir a dieta”. Esta não dificuldade pode resultar de um grande trabalho de reunir e transmitir informação, sentido de responsabilidade e apoio por parte das pessoas mais próximas. Contudo, há que salientar que mesmo com muita “experiência” e cuidado no cumprimento da dieta, é necessário que se permaneça atento pois existe sempre a possibilidade de transgressão ainda que sem responsabilidade directa do celíaco. Por isso também é importante, para todos, análises regulares que monitorizem a reacção do nosso organismo à ingestão de glúten.


Uma pessoa (3%) assinalou a opção “… partilha o uso da cozinha” como a situação em que lhe é mais difícil cumprir a dieta. Novamente aqui poderá, por exemplo, estar o problema de contaminação por partilha de utensílios que tenham entrado em contacto com glúten e não tenham sido lavados. Esta situação pode ser ainda mais complicada quando se partilha a cozinha com várias pessoas com quem por vezes nem se tem um contacto facilitado, como no caso de residências de estudantes. Mais uma vez, em prol da saúde e bem-estar é necessário criar soluções para contornar as dificuldades.


Também uma pessoa (3%) respondeu que lhe é difícil cumprir a dieta quando “outras pessoas incentivam-no/a a quebrá-la”. Embora se possa compreender que esta dificuldade surja, principalmente no período da adolescência, tal como no caso das “tentações”, é necessário que a responsabilidade de cumprir a dieta prevaleça sobre os outros factores. Se mesmo depois de explicar as consequências do incumprimento da dieta as pessoas insistirem em que a quebremos, não nos podemos esquecer que a última palavra é nossa e em última instância somos nós que decidimos quais os alimentos que ingerimos.


Finalmente, não houve nenhum leitor a assinalar a alternativa “tem convidados para almoçar/ jantar”. Talvez porque a confecção da(s) refeição(ões) quando temos convidados esteja sob o nosso controlo.



Apelamos aos leitores que relatem episódios mais específicos em que seja difícil cumprir a dieta e qual a forma como contornam essas situações.



Mais uma vez, obrigado pela participação.



Cumprimentos sem espiga,



APC Jovem

16/01/2010

A Doença Celíaca e a Saúde Oral


É actualmente reconhecido que, em inúmeros casos, a DC pode permanecer latente por vários anos antes de irromperem os sintomas clássicos (diarreia, anorexia, perda de peso, etc.) ou outros sintomas que, embora atípicos (obstipação, distúrbios psiquiátricos, problemas cutâneos, etc.), já vão sendo reconhecidos pela maioria dos especialistas como interligados com a DC.

Há, no entanto, alguns sinais relacionados com a área da estomatologia que não podem ser desprezados e que, muitas vezes, se valorizados, conduzirão a um diagnóstico precoce da DC em estado latente.

Assim, a hipoplasia do esmalte dentário, que se manifesta clinicamente por uma circunferência ou faixa com irregularidades no esmalte ou por discretas fissuras que podem adquirir uma coloração amarelada ou acastanhada, é um dado a ter em conta no que concerne à DC. Este tipo de situação vem sendo descrita em celíacos desde 1979, tendo sido alvo de estudos na Finlândia e em Espanha.

Outro tipo de manifestação nesta área pode ser o atraso na erupção dos dentes, o tamanho reduzido das peças dentárias e a disfunção das glândulas salivares, sendo que a maioria acontece devido ao défice de absorção de vitaminas e minerais importantes, comum nos celíacos não diagnosticados.

É ainda importante que os profissionais na área da estomatologia estejam atentos a doentes que referem dor na língua, acompanhada de vermelhidão pois, por norma, estas significam que existe um défice de absorção de Vitamina B12, de Ácido Fólico e de Ferro, também comum em doentes celíacos. Também dentro deste grupo se incluem as lesões aftosas (aftas ou “sapinhos”) que ocorrem pelo mecanismo anteriormente explicado.

Por tudo isto, é deveras importante que os profissionais da área da estomatologia conheçam a DC e a saibam relacionar com o tipo de manifestações descritas neste texto pois, na ausência de outros sinais e sintomas, este pode ser o primeiro passo para a detecção precoce de muitos casos de DC.

Carmen G.

10/01/2010

Doença Celíaca no Puerpério


A gravidez é considerada pela maioria dos especialistas na área, um factor desencadeante ou de reactivação da doença celíaca e, como tal, muitos têm sido os casos de DC manifestados na fase do puerpério[i].

Sustentando a teoria de que a gravidez está directamente relacionada com o desencadear de casos de DC temos o estudo de prevalência da doença celíaca em mulheres grávidas, realizado no Departamento de Obstetrícia da Universidade de Nápoles (Itália), onde se rastrearam serologicamente 845 grávidas, tendo-se identificado 12 casos positivos que foram confirmados histologicamente (através de biópsia). Nove destas mulheres desconheciam ser portadoras da doença, e nenhuma referia sintomatologia gastrointestinal. Neste estudo foi identificada uma doente celíaca em cada 70 mulheres, prevalência consideravelmente maior que a da maioria das doenças para as quais as mulheres grávidas são rastreadas por rotina.

Na doença celíaca, como em outras doenças com características auto-imunes, pode ocorrer uma intensificação das reacções imunológicas latentes ou ocultas na fase da gravidez. A exposição materna a antigénios fetais e alterações nos níveis séricos de hormonas sexuais femininas, durante a gravidez e o puerpério, podem activar uma doença celíaca latente, de um modo não esclarecido. Em suma, as modificações que se produzem no corpo da mulher grávida, directamente relacionadas com o feto ou com as necessárias alterações ao seu desenvolvimento, podem fazer com que a doença celíaca (que obrigatoriamente já tem de existir ainda que de forma não diagnosticada) se torne mais premente, o que obriga ao seu estudo e posterior diagnóstico.

Assim é importante que todas as puérperas, bem como as mulheres grávidas, tenham em atenção sintomas como diarreia crónica, emagrecimento e edemas. Em caso de encontrar neste texto correspondência com a sua situação não hesite em recorrer ao seu médico assistente colocando a hipótese de ser doente celíaca.

[i] Nome dado à fase pós-parto, em que a mulher experimenta modificações físicas e psíquicas, tendendo a voltar ao estado que a caracterizava antes da gravidez.


______________________

Referências Bibliográficas:

CARDOSO, H.; TEIXEIRA, A.; MACHADO, A.; et al – Doença Celíaca Manifestada no Puerpério, GE vol. 13; Outubro/Novembro de 2005; pp. 47 a 50.

COSTA, J.; SANTOS, M.; CARRILHO, F.; et al – Diagnóstico de Doença Celíaca na Idade Adulta, retirado da World Wide Web.

Carmen G.