
Por vezes não é tarefa fácil explicar o que é a doença celíaca e quais são os cuidados necessários a ter para que a dieta que cumprimos seja verdadeiramente isenta de glúten, de forma a cessar a reacção inflamatória no intestino e repor a normal função deste.
Esta semana perguntávamos aos leitores do Sem Espiga que dificuldades encontravam quando explicavam no que consiste seguir uma dieta sem glúten.
21% dos leitores não encontra dificuldades. A informação disponível em diversas fontes (a APC, os profissionais de saúde, sites especializados e comunidades virtuais, etc.) possibilita que sejam tiradas as dúvidas sobre os mecanismos da doença, consequências da não erradicação do glúten da dieta e estratégias para evitar a contaminação das refeições e para seguir uma dieta saborosa e nutritiva.
A existência de informação disponível, compreensível e fiável é essencial no dia-a-dia de um celíaco, tanto para as refeições que faz para si como para possibilitar que outros lhe preparem refeições seguras.
50% dos leitores refere ter dificuldade em explicar que mesmo quantidades reduzidas de glúten serão prejudiciais ao organismo.
Existem vários tipos de restrições alimentares por razões de saúde, e a restrição de glúten por doença celíaca tem características próprias. A doença celíaca tem por base uma reacção auto-imune que pode ser sustentada por pequenas quantidades de glúten. Com esta questão relaciona-se a opção escolhida por 28% dos leitores, que elegeu como principal dificuldade explicar porque é importante que as refeições e os alimentos não sejam contaminados por glúten proveniente, por exemplo, de uma outra refeição preparada no mesmo espaço.
A doença celíaca tem por base uma reacção auto-imune ao glúten, e neste momento a única forma de evitar a reacção é evitar a exposição ao glúten. E esta exposição pode resultar de uma acumulação, ao longo do dia, de pequeníssimas quantidades de glúten que, quando somadas, podem resultar numa quantidade suficiente para sustentar a reacção auto-imune e provocar lesão e sintomas. Daí advém a importância de prevenir todas as contaminações evitáveis, mesmo que aparentemente estejam em jogo quantidades ínfimas: nao preparar refeições sem glúten num espaço onde existe farinha com glúten em suspensão no ar, não tocar numa refeição sem glúten com um talher que já esteve em contacto com um produto com glúten, etc..
Sensibilizar as pessoas com quem partilhamos a nossa casa, o nosso local de trabalho, o nosso quotidiano, pode ser uma dificuldade acrescida na tarefa de nos resguardarmos da ingestão de glúten. Informação é a palavra-chave: informarmo-nos o mais possível e continuamente, e informarmos a todos os que ainda desconhecem a doença celíaca e suas consequências.