07/09/2009

Questões sem glúten - análise


Depois de umas retemperadoras férias, estamos de volta à actualização do nosso blogue com motivação renovada para melhor informar a comunidade celíaca que nos lê.

Pretendendo dar continuação à questão “sem glúten” semanal, apresentamos o nosso comentário à última. Perguntámos então como os nossos leitores convivem com a doença celíaca (DC).
Num total de 31 votantes, constatamos que as respostas menos positivas tiveram uma menor percentagem. Assim com apenas 3% estiveram as respostas “vê-se como uma pessoa doente e bastante limitada” e “vê-se como alguém que vai ser sempre doente”. Dependendo de vários factores como a idade com que surge o diagnóstico, grau da informação sobre a doença, personalidade, entre outros, a DC pode ter um peso “demasiado” negativo na vida da pessoa. Mas estas percentagens parecem corresponder à realidade que observamos no dia-a-dia, pois a DC pode “sofrer” do estigma de ser uma doença com tudo o que menos bom isso acarreta. Mas relembramos sempre que o seu controlo passa “apenas” pelo cumprimento de uma dieta, não necessitando de medicamentos ou qualquer outra terapêutica agressiva. Para muitos é mais uma condição de vida, algo que tem que ser encarado com responsabilidade mas que não deve ser impeditivo de um modo de vida normal.


Esta forma de encarar a DC parece estar ligada às percentagens mais elevadas. Desta forma, com 32% dos votos esteve a opção “Sente-se saudável, sem défices físicos ou psicológicos” e com 45% “Chega a esquecer-se que tem uma doença crónica”. Esta última opção, não pode ser observada como um desleixo em relação à DC mas uma perfeita adaptação às suas contigências, que faz com que a normalidade em todo o comportamento seja a exclusão do glúten, logo a percepção de ausência de doença.

Com uma assinalável percentagem (32%) esteve a opção “sente-se diferente das outras pessoas”. Esta opção poderá ter um significado ambíguo, pois pode haver pessoas para as quais a diferença é algo positivo, já que a pessoa pode valorizar dessa forma a diferença, sendo que para outras tem uma carga mais negativa e é factor de exclusão ou isolamento entre outras coisas com as correspondentes consequências psicológicas.

O que acha? O ser celíaco, o ser diferente, o ser igual…será mesmo assim? Partilhe o seu ponto de vista!

Não se esqueça de votar na questão semanal.

05/09/2009

Regresso ao trabalho

Caros leitores do Sem Espiga,

A APC Jovem regressa ao trabalho. Com a mesma motivação de sempre, pretendemos seguir a linha do que foi feito durante o último ano. Assim, continuaremos a dinamizar o blogue, a participar na organização dos encontros nacionais da APC e a fomentar os "jantares verdes".

Poderão passar a acompanhar, a partir da próxima semana, o relato do acampamento internacional de Verão para jovens celíacos que decorreu em Berlim, como vos prometeram o Filipe e o João. Trata-se do acampamento da CYE (Coeliac Youth of Europe), a organização europeia de jovens celíacos, que anualmente é impulsionado por uma das organizações nacionais de jovens. Será já no próximo ano que a APC Jovem assumirá, pela primeira vez, a organização de um destes Summer Camps.

Temos mais ideias, que estamos a debater e a desenvolver. Mas estas novas actividades, principalmente as de grande envergadura como encontros de jovens ou colónias de férias, só podem ser levadas a cabo com a ajuda dos outros membros da APC, nomeadamente dos outros jovens celíacos.

A quem participa num Summer Camp, tomando contacto com as diferentes realidades nacionais dos celíacos europeus, torna-se claro que há ainda muito a fazer em Portugal pela qualidade de vida dos celíacos. Contudo, esse mesmo caminho já foi percorrido, com sucesso, em outros países. Não há nada que nos impossibilite de aceder às mesmas condições que os celíacos usufruem lá fora. Basta que mais de nós se juntem ao trabalho associativo para tornar os sonhos uma realidade.


Bom regresso ao trabalho!

11/08/2009

A APC Jovem vai a banhos...


Caro leitor,

Agosto é, por excelência, o mês das férias dos portugueses. Os membros da APC jovem não são excepção e, como tal, até ao início de Setembro não acontecerão actualizações no nosso blogue. Prometemos voltar em Setembro, na frequência a que o temos habituado. Traremos novidades fresquinhas (não podemos esquecer que o João e o Filipe andaram pelo Summercamp da coeliac youth of europe), novas sondagens e novos eventos com a nossa marca na organização (sim, porque agora até já nos pode identificar através da nova tshirt da APC Jovem). As férias, mais do que um descanso, são o período de que necessitamos para nos reorganizar e redefinir estratégias e prioridades. É que 2010, mais coisa menos coisa, está a chegar. E nós queremos um ano em grande. Sempre SEM ESPIGA!

Boas férias!

Ana, Carmen, Daniela, Filipe, João, Marta, Vanessa
APC Jovem

03/08/2009

Contaminação cruzada




Uma dieta isenta de glúten implica o consumo de alimentos, natural ou artificialmente, sem glúten. No grupo dos alimentos naturalmente isentos de glúten incluem-se: carne, peixe, arroz, batatas, fruta e legumes. A aveia, que também se inclui no grupo anterior, está contudo muito sujeita a contaminação cruzada sendo desaconselhado o seu consumo excepto se o produtor garantir que não teve contacto com outros alimentos com glúten.

A contaminação cruzada ocorre quando um alimento sem glúten entra em contacto com outro alimento, utensílio ou superfície com glúten. No caso da aveia é comum isto acontecer durante a fase de processamento desta que muitas vezes é feito em conjunto com o do trigo ou do centeio. Desde a fase da plantação, embalamento, até ao prato é possível o alimento ter sido exposto ao glúten.

Como a maioria das listas de ingredientes não é esclarecedora, em caso de dúvida o mais sensato é contactar a marca para saber se o produto foi manipulado em instalações ou em linhas de produção separadas ou totalmente limpas. O processo de fabrico é uma das principais fontes de contaminação cruzada, porém existem outras como as lojas que vendem comida a peso, a nossa própria casa, a casa de familiares ou amigos, restaurantes e hotéis.

Em qualquer um destes locais é importante ter utensílios e alguns electrodomésticos separados e ter tudo, de bancadas a formas, muito bem limpo para evitar o risco de contaminação. Uma das soluções mais práticas quando se utiliza o mesmo forno, fritadeira ou máquina de fazer pão para cozinhar com e sem glúten é cozinhar primeiro a comida sem glúten e guardá-la para não haver risco de contaminação.

A nossa casa é o local mais fácil para controlar o risco de contaminação cruzada porque sabemos o que acontece desde que os alimentos passam a porta. Em casa podemos ter os produtos sem glúten em prateleiras/armários separados, duas torradeiras, dois cestos de pão, duas embalagens de manteiga ou optar por embalagens tipo squeeze para evitar que facas com vestígios de glúten voltem a mergulhar nos frascos de doce e os contaminem.

Em casa de familiares e amigos que frequentemos com assiduidade podemos ter alguns produtos sem glúten como pão, tostas e massas na despensa. Também podemos oferecer-nos para ajudar a cozinhar e/ou levar alguns pratos sem glúten. Assim temos a certeza de que há pelo menos um ou dois pratos que podemos comer. Esta estratégia também pode vir a ser útil em casamentos, piqueniques ou outros eventos do género que envolvam comida.

Nos restaurantes é da máxima importância confirmar se a mesma porção do balcão, utensílios (tábuas, facas, tabuleiros) e electrodomésticos (forno, fritadeira) que vão ser utilizados para confeccionar a nossa refeição não estão em contacto com alimentos com glúten. Nas refeições de buffett convém confirmar se os talheres de servir não estão a ser partilhados entre tabuleiros e se as pessoas que a estão servir, por vezes com as mãos, trocam de luvas entre a preparação de uma baguete e a nossa salada.

Para quem desconhece a doença celíaca os cuidados que tomamos para evitar a contaminação cruzada podem parecer mania ou obsessão, contudo cada um tem a sua sensibilidade e consumir nem que de forma inconsciente um bocadinho de glúten aqui, outro ali ou acolá sob a forma de migalhas, pó de farinha, ou qualquer outro veículo vai fazer com que este fique acumulado no organismo e prejudique a nossa saúde.