08/07/2009

As outras doenças dos celíacos: Dermatite Herpetiforme

As doenças associadas à doença celíaca constituem um assunto importante e extenso. Este é o primeiro de uma série de textos sobre essas doenças, textos esses que serão publicados nas próximas quartas-feiras.

A dermatite herpetiforme é uma erupção cutânea crónica e recorrente, que produz uma comichão intensa. É associada à doença celíaca e a depósitos na pele de um tipo de anticorpo, a imunoglobulina A (IgA). Ocorre mais frequentemente entre os 30 e os 40 anos. 80% dos doentes com dermatite herpetiforme têm também lesões intestinais devidas ao glúten; um terço apresenta doença tiroideia.


Os doentes celíacos são portadores de anticorpos contra as enzimas transglutaminases; estes anticorpos circulam como complexos imunes (anticorpo associado ao respectivo antigénio, a transglutaminase), que se depositam na pele. Os anticorpos activam estruturas do sistema imunitário que provocam lesão dos tecidos cutâneos. Estas lesões distribuem-se simetricamente e as regiões do corpo mais frequentemente atingidas são os cotovelos, os joelhos, as nádegas, as costas e a nuca. As lesões cutâneas agravam-se com a ingestão de iodo (presente no marisco) e de glúten.

O diagnóstico faz-se com base na história clínica, no exame físico e na biópsia das lesões cutâneas, e de forma complementar com a pesquisa de auto-anticorpos no sangue.
O tratamento consiste em fármacos para as lesões da pele (o mais usado é a dapsona) e na dieta isenta de glúten. A resposta das lesões à introdução da dieta é lenta.

O termo "herpetiforme" refere-se à semelhança entre as lesões da dermatite herpetiforme com as lesões provocadas pelo vírus herpes; contudo, não há qualquer relação entre dermatite herpetiforme e vírus herpes.


Na próxima quarta-feira: Depressão.

07/07/2009

Workshop Doença Celíaca: Futuro Sem Glúten

No próximo Sábado, dia 11 de Julho, irá realizar-se o workshop Doença Celíaca: Futuro Sem Glúten na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, no Parque das Nações. Este evento dirige-se a todos os celíacos, sócios da APC ou não, e seus familiares.

Por motivos de organização, os participantes serão divididos em três grupos, A, B e C, com actividades alternadas.

O workshop terá o seguinte programa:

9:00h
Abertura do secretariado
9:30h
Sessão de abertura
(Raquel Madureira e Rita Jorge, APC; Ana Catarina Moreira, ESTeSL)
10:00h – 11:00h
“Importância da exclusão do glúten na doença celíaca”
(Céline Fernandes e Filipa Pina, ESTeSL)
11:00h – 11:30h
Coffee break
11:30h – 13:00h
“Doença Celíaca – Alimentação fora de casa”, Grupos B e C
(Céline Fernandes e Filipa Pina, ESTeSL)
Actividade Laboratorial – Panificação, Grupo A
(A designar)
13:00h – 14:00h
Almoço
14:00h – 15:30h
“Doença Celíaca – Soluções para cozinhar”, Grupos A e C
(Ana Santos e Célia Lopes, ESTeSL)
Actividade Laboratorial – Sobremesa, Grupo B
(A designar)
15:30h – 16:00h
Coffee breake
16:00h – 17:30h
“Doença Celíaca – Alimentação fora de casa”, Grupo A
(Céline Fernandes e Filipa Pina, ESTeSL)
“Doença Celíaca – Soluções para cozinhar”, Grupo B
(Ana Santos e Célia Lopes, ESTeSL)
Actividade Laboratorial – Prato proncipal, Grupo C
(A designar)
17:30h
Conclusão/Encerramento

A inscrição tem o valor de 50€ (almoço não incluído), devendo o pagamento ser efectuado por cheque emitido à ordem da ESTeSL ou por transferência bancária, sendo o comprovativo enviado juntamente com a ficha de inscrição preenchida para o email
gpr@estesl.ipl.pt ou para ESTeSL, Centro de Formação Avançada, Av. D. João II, lote 4.69.01 – Parque das Nações 1990-096 Lisboa. As inscrições são aceites por ordem de chegada da ficha de inscrição e pagamento correspondente. Caso a sua inscrição não seja aceite, o valor do pagamento será devolvido.

Esperamos pela sua presença!

Questões Sem Glúten – Análise


Como sabemos a DC é crónica e o seu diagnóstico é o início (depois de muitas vezes “correr” vários médicos e especialidades) de uma nova etapa: o acompanhamento/ seguimento da dieta sem glúten. Este acompanhamento pode ocorrer de diferentes formas e, assim, esta semana decidimos perguntar “Como é o acompanhamento por parte profissionais de saúde que consulta para o controlo da DC?”. Num total de 34 participantes, 33 são acompanhados regularmente: 25 (73%) destes referiram que são acompanhados regularmente (exames complementares de diagnóstico + informações); 1 (2%) que é acompanhado regularmente (apenas informações); e 7 (20%) são acompanhados regularmente (apenas exames complementares de diagnóstico).
Houve ainda um leitor que referiu não ser acompanhado regularmente por opção própria (2%) e, felizmente, nenhuma referência ao não acompanhamento médico por falta de condições (0%).

Podemos então constatar que os participantes desta sondagem são acompanhados por profissionais de saúde e parecem preocupados com o seu bem-estar, o que nos parece bastante positivo. Este resultado pode estar também relacionado com o facto de muitos dos leitores do Sem Espiga praticarem uma dieta isenta de glúten há menos de três anos (69%) e 32% sabe do seu diagnóstico há menos de um (análise publicada a 6 de Abril de 2009). Adianta-se na mesma análise uma possível razão para tal: haver maior necessidade de informação devido ao pouco tempo de convivência com a doença.
Contudo, o acompanhamento por parte de profissionais de saúde revela-se importante em qualquer fase da DC, quer o diagnóstico seja recente ou não, pois surgem novos desafios em diferentes idades e tempos de diagnóstico, novas informações e ocorrem mudanças de que devemos estar a par. Estes profissionais podem, assim, ajudar-nos em qualquer fase, na adaptação à DC, esclarecendo dúvidas, antecipando problemas e soluções, etc. (já colocámos sondagens que abordam estes temas – “Qual a maior dificuldade de fazer uma dieta sem glúten?” – análise publicada a 27 de Março de 2009 e “Após o diagnóstico, qual o seu grau aproximado de dificuldade para se adaptar aos condicionalismos inerentes à DC?”, análise publicada a 5 de Maio de 2009). Mais recentemente, análise publicada a 29 de Junho de 2009, abordámos a questão de outras doenças poderem estar associadas à DC e, como tal, esta situação merece toda a atenção e cuidado no acompanhamento por parte dos profissionais de saúde.

Cremos que as razões apresentadas não esgotam de forma alguma a importância do acompanhamento por profissionais de saúde e o impacto que este tem no nosso bem-estar.

Obrigado pela participação!
Até à próxima sondagem…

01/07/2009

IRS e Produtos Sem Glúten


Informamos os sócios da emissão de uma circular pelo Ministério das Finanças e da Administração Pública sobre a dedução ao IRS dos encargos com produtos sem glúten.

A circular n.º 17/2009 fica disponível aqui no blogue, de modo a que os sócios a possam apresentar na sua repartição de Finanças, desfazendo assim qualquer equívoco que possa surgir.

Pode encontrar a circular na barra lateral desta página, na secção "Legislação Útil". Este documento esclarece que os encargos com os produtos alimentares específicos para celíacos qualificam-se como despesas de saúde. Esta dedução é independente do local onde os produtos foram adquiridos, basta que sejam produtos sem glúten.

À APC Jovem têm sido referidas as dificuldades que alguns sócios encontraram em repartições de Finanças no que se refere a esta questão. Esperamos que com esta circular esses obstáculos não se voltem a repetir.

Recordamos aos sócios a petição que a APC organizou no portal, recolhendo assinaturas para que este assunto fosse levado à Assembleia da República. Mais uma prova de que todos juntos, dando força à APC, conseguimos resolver as contrariedades que afectam os celíacos quotidianamente. Pedimos por isso aos sócios que continuem a informar a APC sobre este tipo de situações.


APC Jovem