07/06/2009

Celíaco? Sim! Alérgico ao glúten? Não, obrigado! – Alergia vs. Doença Celíaca


O sistema imunitário preserva a integridade do corpo humano face ao seu ambiente, tendo um papel primordial na defesa contra agentes infecciosos externos e internos. Funcionando como uma espécie de “linha de defesa”, é importante que a sua reacção seja controlada para que os “soldados” que a compõem não se virem contra a própria pessoa, prejudicando o indivíduo com reacções demasiado intensas.


Em algumas pessoas, o sistema imunitário pode desregular-se ou possuir alguma deficiência. Estas situações tornam o indivíduo muito vulnerável a infecções ou conduzem a reacções violentas contra elementos do ambiente normalmente tolerados. Estas reacções violentas podem ser essencialmente de dois tipos: alergias ou doenças auto-imunes, que não são, de forma alguma, a mesma coisa.


A alergia é a resposta do corpo a um alergénio, que não é mais do que qualquer substância inofensiva, presente no ambiente, que se comporta como um antigénio (estimula uma resposta imunitária específica) para algumas pessoas.


Na 1ª exposição a um alergénio o sistema imunitário fica sensível ao alergénio mas não provoca reacção. Nas posteriores exposições, ocorre uma reacção alérgica que pode ir de uma erupção cutânea a diversos problemas respiratórios. Alergia pode então definir-se como uma resposta exagerada do sistema imunitário a uma substância estranha ao organismo, ou seja, uma hipersensibilidade imunitária a um estímulo externo ou interno específico. As reacções alérgicas podem manifestar-se de imediato, havendo um tipo mais frequente chamado choque anafilático (potencialmente fatal), ou num período mais prolongado, após o contacto com o alergénio.

No caso das doenças auto-imunes, grupo em que se engloba a doença celíaca, estas resultam de uma reacção de hipersensibilidade do sistema imunitário contra antigénios próprios, isto é, cada pessoa possui antigénios próprios e, ao mesmo tempo, linfócitos (principais efectores da imunidade celular) com tolerância própria para estes antigénios.


No nosso caso, e de todos os celíacos, existe um “desajuste” entre os linfócitos e os antigénios, isto é, não existe tolerância dos linfócitos para com os antigénios. No caso de um indivíduo normal estes linfócitos sem tolerância seriam destruídos ou ficariam inactivos mas, no caso de um celíaco, o organismo fica a produzir os anticorpos e os linfócitos sensibilizados contra os seus próprios tecidos, daí a vulgar expressão “o corpo ataca o corpo”. No nosso caso concreto os linfócitos ficam sensibilizados (intolerantes) contra os tecidos constituintes das vilosidades intestinais provocando a sua lesão. É geralmente um processo gradual e é também por isso que, mesmo que um celíaco ingira um alimento com glúten, não experimenta reacção a curto prazo, contudo, a longo prazo terá graves consequências (repare-se que uma quantidade quase insignificante de glúten fará disparar a produção de antigénios ao que os linfócitos, sensíveis – intolerantes - a estes, responderão com o processo de “ataque” aos tecidos da mucosa intestinal, iniciando-se todo o processo característico da destruição auto-imune).

Gostariamos, para finalizar este extenso texto, que nos revelasse o seu feedback indicando se o texto foi útil, se efectivamente o esclareceu e se pensa que a divulgação científica deverá continuar a fazer parte dos objectivos da APC Jovem. Obrigada.

Carmen G.

05/06/2009

Comemorações Dia Nacional do Celíaco - Porto

A APC Jovem organizou no passado domingo no Porto um piquenique no âmbito das comemorações do Dia Nacional do Celíaco, tal como anunciado aqui no blogue.


O ponto de encontro era o Castelo do Queijo, e à hora marcada era possível encontrar os elementos da delegação Norte e a sua cartolina amarela com a indicação "APC Jovem", sob o sol inclemente do passado fim-de-semana. Reunidos os participantes, partimos à procura de um cenário à sombra para o nosso piquenique no Parque da Cidade.


Encontrámos lugar debaixo de árvores, estendemos as nossas toalhas e as nossas delícias gastronómicas. Os elementos da delegação apresentaram-se formalmente, descreveram os objectivos do grupo e convidaram cada participante a apresentar-se e a falar da sua experiência. Foi assim que começámos a partilhar as nossas histórias perante todos, trocando experiência e informações, conhecendo-nos.

As conversas continuaram durante todo o resto do piquenique, enquanto os miúdos desafiavam a Virgínia num disputadíssimo jogo de Pictionary.

Chegando o final da tarde, os participantes foram partido, expressando o seu contentamento e a vontade de que haja novas actividades, no Porto e em outros locais da região.

Fica aqui o nosso forte agradecimento aos celíacos, aos seus familiares e aos seus amigos que fizeram deste piquenique um encontro muito agradável e promissor de cooperação para uma melhor qualidade de vida para todos.

04/06/2009

Comemorações Dia Nacional do Celíaco - Lisboa




Na tarde do último sábado decorreram parte das comemorações do Dia Nacional do Celíaco, sendo assinalada a data pela APC Jovem com um saudável piquenique "sem glúten" no Parque dos Poetas em Oeiras.

Desde já agradecemos aos celíacos, familiares e amigos que desafiaram o intenso calor e com a sua energia, alegria e disponibilidade tornaram os momentos de convívio bastante agradáveis.

Cedo atacámos as poucas sombras disponíveis de forma a estender as nossas mantas e reservar o adequado espaço para os convidados que esperávamos. Estes foram chegando e entrando nas conversas que entretanto de forma espontânea foram surgindo. Dentro destas, comentou-se a beleza do espaço, o calor intenso e conheceram-se melhor os celíacos presentes. Percebeu-se que independente das idades destes e da data do diagnóstico as dificuldades são similares. Nestas, ainda surge em destaque o desconhecimento da sociedade sobre a DC e o que tudo isto acarreta na vida do celíaco, reflectindo-se em momentos difíceis com a restante família, na escola, trabalho, restaurantes, viagens, serviços médicos, etc. Com a presença reduzida de crianças, estas ainda puderam gastar as suas energias nos jogos com bola.




Entre conversa, música, jogos de cartas e algum descanso à sombra, houve espaço ainda para provar as iguarias que os participantes trouxeram. Esta foi uma excelente oportunidade para disfrutar de uma grande variedade de alimentação sem glúten, o que é sempre de assinalar, já que não acontesse assim com tanta frequência!

No final da tarde, saímos satisfeitos de mais um convívio e com a convicção reforçada da importância destes momentos para o conhecimento de outras pessoas com esta nossa "característica", para aprendizagem de estratégias aplicáveis aos problemas que surgem aos celíacos no dia-a-dia e como forma de perceber onde deverá incidir o trabalho da APC para melhorar a qualidade de vida daqueles que representa.

Estejam atentos às iniciativas da APC Jovem porque esforçamo-nos para que cada vez mais surjam com uma maior frequência e com uma melhor oferta.

01/06/2009

Questões sem glúten - análise




Nos últimos anos os produtos sem glúten sofreram uma evolução positiva em termos da sua diversidade e qualidade: novos produtos, novos sabores, diferentes tipos de pão e de farinhas e refeições pré-preparadas.

A questão "sem glúten" sobre a gama de produtos disponível no mercado teve 34 votantes. 50% destes consideram-na "Razoável", 32% consideram-na "Boa" e 17% pensam que ela é "Má."

Primeiro ponto, o que explica que os votantes se dividam entre estas três percepções?

Um factor importante será a acessibilidade aos produtos sem glúten, que difere de região para região, dos meios urbanos para os rurais e de acordo com a condição económica e mesmo a informação de que se dispõe sobre os pontos de venda. Celíacos do mesmo país não têm acesso aos mesmos produtos.

Outro factor será que critérios cada um utiliza para ponderar a qualidade dos produtos que encontra. Alguns pensarão que fazem falta outros sabores e texturas para além dos mais tradicionais; para esses provavelmente o cacau e a bolacha já não têm o encanto de outrora, e navegar (para outros paladares) é preciso. Também se pensará na possibilidade de transportar os alimentos, na facilidade em conservá-los durante esse transporte, ou conservá-los depois de aberta a embalagem, etc.. A quem estiver a ler este texto decerto ocorrerão mais características a ter em conta.

Segundo ponto... e afinal, os produtos são bons ou não?

82% dos votantes responderam que a gama é "Boa" ou "Razoável", o que sugere que para estes 82% os produtos actuais são minimamente satisfatórios, respondem às necessidades básicas, têm um gosto aceitável, variedade...

Contudo, para 67% dos votantes, que responderam "Razoável" ou "Má", há que melhorar o mercado sem glúten actual. Provavelmente considerarão necessário introduzir novas soluções alimentares, expandir o número de alternativas sem glúten aos produtos com glúten mais correntes, tornar os alimentos sem glúten das lojas tão adaptados a nós como os que preparamos em casa.

Dê a sua opinião e vote na questão "sem glúten" semanal!