
Em algumas pessoas, o sistema imunitário pode desregular-se ou possuir alguma deficiência. Estas situações tornam o indivíduo muito vulnerável a infecções ou conduzem a reacções violentas contra elementos do ambiente normalmente tolerados. Estas reacções violentas podem ser essencialmente de dois tipos: alergias ou doenças auto-imunes, que não são, de forma alguma, a mesma coisa.
A alergia é a resposta do corpo a um alergénio, que não é mais do que qualquer substância inofensiva, presente no ambiente, que se comporta como um antigénio (estimula uma resposta imunitária específica) para algumas pessoas.
Na 1ª exposição a um alergénio o sistema imunitário fica sensível ao alergénio mas não provoca reacção. Nas posteriores exposições, ocorre uma reacção alérgica que pode ir de uma erupção cutânea a diversos problemas respiratórios. Alergia pode então definir-se como uma resposta exagerada do sistema imunitário a uma substância estranha ao organismo, ou seja, uma hipersensibilidade imunitária a um estímulo externo ou interno específico. As reacções alérgicas podem manifestar-se de imediato, havendo um tipo mais frequente chamado choque anafilático (potencialmente fatal), ou num período mais prolongado, após o contacto com o alergénio.
No caso das doenças auto-imunes, grupo em que se engloba a doença celíaca, estas resultam de uma reacção de hipersensibilidade do sistema imunitário contra antigénios próprios, isto é, cada pessoa possui antigénios próprios e, ao mesmo tempo, linfócitos (principais efectores da imunidade celular) com tolerância própria para estes antigénios.
No nosso caso, e de todos os celíacos, existe um “desajuste” entre os linfócitos e os antigénios, isto é, não existe tolerância dos linfócitos para com os antigénios. No caso de um indivíduo normal estes linfócitos sem tolerância seriam destruídos ou ficariam inactivos mas, no caso de um celíaco, o organismo fica a produzir os anticorpos e os linfócitos sensibilizados contra os seus próprios tecidos, daí a vulgar expressão “o corpo ataca o corpo”. No nosso caso concreto os linfócitos ficam sensibilizados (intolerantes) contra os tecidos constituintes das vilosidades intestinais provocando a sua lesão. É geralmente um processo gradual e é também por isso que, mesmo que um celíaco ingira um alimento com glúten, não experimenta reacção a curto prazo, contudo, a longo prazo terá graves consequências (repare-se que uma quantidade quase insignificante de glúten fará disparar a produção de antigénios ao que os linfócitos, sensíveis – intolerantes - a estes, responderão com o processo de “ataque” aos tecidos da mucosa intestinal, iniciando-se todo o processo característico da destruição auto-imune).
Gostariamos, para finalizar este extenso texto, que nos revelasse o seu feedback indicando se o texto foi útil, se efectivamente o esclareceu e se pensa que a divulgação científica deverá continuar a fazer parte dos objectivos da APC Jovem. Obrigada.
Carmen G.
